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  VALONGO debaixo do Mar

 As rochas que se encontram nas serras de Valongo datam da Era Paleozóica, mais precisamente entre os períodos Pré-câmbrico, Câmbrico e Carbonífero. 
              O local que hoje é conhecido por Parque Paleozóico de Valongo já se encontrou submerso por um mar de profundidade considerável e, há cerca de 540 milhões de anos, começaram a depositar-se, no fundo do mar, os primeiros sedimentos que deram origem ao “Complexo Xisto-Grauváquico”, de idade Câmbrica e também Pré-câmbrico e que deram origem aos xistos e aos grauvaques que conhecemos hoje. Simultaneamente, depositaram-se outros sedimentos, em locais menos profundos, que culminaram na formação dos quartzitos e conglomerados.

     Há 500 milhões de anos, ainda no período Câmbrico, o mar recuou, deixando emersas essas rochas, sobre as quais, a tectónica foi provocando dobras e fracturas. Porém, a acção dos agentes erosivos, originou uma superfície mais ou menos plana. 
            Mais tarde, há cerca de 488 milhões de anos, o mar volta a aproximar-se da linha da costa. Inicia-se a deposição de sedimentos grosseiros, tipicamente associados a praias, particularmente, seixos e areias, que mais tarde viriam a originar quartzitos e conglomerados. É possível observar marcas da ondulação nalguns destes quartzitos expostos, designadas de ripple marks.

            À medida que a profundidade do mar foi aumentando, os sedimentos cada vez mais finos, originaram as ardósias e xistos, nas quais estão gravados diversos fósseis. No início do Silúrico, há 444 milhões de anos, surgiram depósitos com características glaciárias. 
            O mar volta a recuar e, desta vez, definitivamente sendo que, os últimos sedimentos depositados em ambiente marinho datam no Devónico. É nesta altura que forças tectónicas dão origem a uma mega dobra com vários quilómetros de extensão, designada por Anticlinal de Valongo. Esta designação é atribuída pelo facto de no núcleo desta dobra se encontrarem as rochas mais antigas.

  Um dos últimos acontecimentos ocorridos nesta área foi a formação de uma bacia sedimentar, continental, (300 M.a.) a sudoeste do anticlinal, na qual ocorreu deposição de sedimentos durante Carbonífero que geraram xistos, arenitos, conglomerados e intercalações de leitos de carvão resultantes da vegetação luxuriante existente na época.
    Ao longo dos tempos, diversos agentes erosivos actuaram no anticlinal e o resultado final foi a formação de duas cristas, de relevo considerável, segundo a direcção NW-SE, vulgarmente chamadas “Serras de Valongo”.

Vitor Costa 

Paulo Paranta

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